Minha avó

Anteontem faleceu a minha avó. Estou compartilhando esse fato porque ela estava sempre com um livro nas mãos. Era leitora ávida de todo o tipo de ficção: clássicos e contemporâneos, nacionais e estrangeiros, livros bons e também livros ruins. Uma das pessoas mais lúcidas e perspicazes que conheci, prestava atenção a tudo e todos, e sempre tinha uma resposta na ponta da língua. E foi assim até seus últimos dias no hospital, com o corpo decadente mas a cabeça a mil.

Minha pequena homenagem a uma das pessoas que, por meio do seu exemplo, mais me incentivou a ler.

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Uma pausa por motivo de força maior

Estávamos em merecidas férias, trazíamos várias novidades, quando recebemos a notícia: nossa casa foi furtada. Estou escrevendo às pressas, de um computador emprestado, para avisar que os próximos posts vão demorar um pouco. Afinal, não se trata apenas de repor o notebook que o ladrão levou, mas principalmente de recuperar o ânimo depois do desgaste que sofremos nestes últimos dois dias, e que continuamos sofrendo. Abraços a todos.

Deu no jornal: “Colecionadores de livros autografados garimpam sebos em busca de raridades”

Saiu hoje no caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo um artigo sobre colecionadores de autógrafos: “… usa a tática que descreve como ‘pular na jugular do escritor’, entrega seu exemplar, a autora autografa, pega-o de volta e sai apressado da livraria. (…) Até aquele dia, (…) nem sequer tinha ouvido falar da autora, quanto mais lido algum de seus livros”. Artigo completo aqui.

Eu, hein… Na minha opinião o autógrafo representa algo: um elo com amigos, um registro de autores admirados, uma lembrança da ocasião. Cada um dos meus exemplares autografados tem uma história própria, que o torna único em seu significado para mim.

Aziz Nacib Ab’Sáber – São Paulo: Ensaios entreveros

O professor Aziz Nacib Ab’Sáber é uma referência tanto na Academia (lembro de ler seus artigos na época da faculdade) quanto no setor técnico (seu nome sempre aparece nas referências de estudos ambientais, por exemplo).

Nasceu em 24 de outubro, há exatos 90 anos. Aziz foi um dos mais importantes geógrafos brasileiros. Seus trabalhos abordaram de maneira integrada aspectos do sítio físico, da ocupação humana, das questões ambientais, da evolução técnica e econômica, contribuindo também para o entendimento da evolução social e histórica.

Por isso foi com prazer que eu pude conhecê-lo uns poucos anos depois que me formei. Na verdade, eu primeiro conheci sua filha, que veio a se tornar uma grande amiga, e por meio dela, tempos depois, é que eu pude encontrar o professor umas poucas vezes. Um homem gentil e generoso, apesar das dificuldades impostas pela idade avançada.

Desses encontros, eu guardo dois volumes autografados.

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